segunda-feira, 20 de maio de 2013




Ano da fé será tema da 25ª Romaria à Frei Salvador Pinzetta


Flores da Cunha recebe no dia 30 de maio peregrinos para a 25º Romaria à Frei Salvador Pinzetta, que acontece junto com a celebração de Corpus Christi. Na parte da manhã, uma missa campal em frente à Igreja Matriz, às 9h30m, com a presença do bispo diocesano Dom Alexandro Ruffinoni. Tradicionalmente neste dia, são confeccionados tapetes com serragens coloridas ao redor da praça central, por onde haverá procissão.



Um dos momentos mais fraternos da Romaria, é o almoço partilhado no Salão Paroquial, quando os peregrinos que chegam de vários locais compartilham seus alimentos. A equipe de organização da Romaria coloca mesas e alguns alimentos complementares para que todos possam confraternizar e participar de um momento de total partilha. Às 13h30 inicia a caminhada desde a igreja Nossa Senhora de Lourdes até o Eremitério de Frei Salvador, local onde costumava rezar. Na chegada haverá uma celebração Eucarística e distribuição de sementes e mudas, um gesto para lembrar frei Salvador que durante parte de sua vida aliou a religiosidade ao cultivo de plantas.



O Tríduo à Romaria inicia no dia 27 de maio com uma missa às 18h na matriz e às 20h no Eremitério, com o tema “Por que Creio em Deus Pai” e o pregador será o frei Doraci Tartari. No dia 28 de maio, o pregador será frei Darci Vazzata com o tema, “Porque Creio em Jesus Cristo” e no último dia a celebração estará a cargo do provincial dos Capuchinhos, Frei Cleonir Dalbosco, com o tema, “Porque Creio no Espírito Santo”.

Processo de Beatificação

O Processo de Beatificação do Servo de Deus Frei Salvador Pinzetta, começou ainda em 1977, cinco anos após a morte de Frei Salvador, ocorrida em 31 de maio de 1972, com a visita do ministro-geral da Ordem dos Capuchinhos, frei Pascoal Rywalski, aos frades do Rio Grande do Sul. Ele não só aconselhou, mas deu ordem aos superiores da Província a introduzirem a Causa de Beatificação de Frei Salvador. Até 1997, a Causa de Beatificação andou rápida, com inúmeras entrevistas, com os freis Adelino Pilonetto, Achylles Chiappin e Santos Carlos Coloda e seu grupo, visando escrever as três biografias sobre Frei Salvador por esses três autores. Neste tempo, aconteceu a exumação dos restos mortais de Frei Salvador e sua trasladação para a matriz de Flores da Cunha e foi instituída a Romaria Frei Salvador.

Depois, a devoção popular a Frei Salvador continuou; as romarias tiveram sequência, sem interrupção, mas o processo jurídico de beatificação ficou sem um coordenador oficial, sem um postulador. Finalmente, em fins de 2007, o ministro-provincial, frei Álvaro Morés, indicou dom frei Ângelo Domingos Salvador, que estava retornando à província, como postulador local, a fim de retomar o processo jurídico, com o aproveitamento de tudo o que havia sido feito até então.

Os autos originais, em duas cópias autênticas, do inquérito diocesano sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade do Servo de Deus, Frei Salvador Pinzetta, já estão em Roma, na congregação das Causas dos Santos. Tais documentos foram levados para Roma pelo Portador, Dom Frei Ângelo Domingos Salvador.

Dom Frei Ângelo com documentação em mãos, viajou dia 26 de outubro de 2012, Dom Frei Ângelo foi Portador oficial de três caixas. Uma caixa, pequena e leve, com 03 cartas, todas endereçadas ao Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, que atualmente é o Cardeal Ângelo Amato: A Carta de D. Alessandro Ruffinoni, chamada “Instrumento de Clausura”, com informações ao Cardeal sobre o conteúdo das duas outras caixas; as cartas do Pe. Adelar Baruffi, Delegado Episcopal no Inquérito Diocesano, e a do Pe. João Roberto Masiero, Promotor de Justiça no mesmo Inquérito, com os pareceres pessoais de seus autores sobre a viabilidade de beatificação do servo de Deus, Frei Salvador Pinzetta.

Frei Salvador Pinzetta: a santidade em caminhos simples 

Fr. Adelino Pilonetto    

Ele não deixou monumentos, não construiu uma catedral, não escreveu um livro, nem deixou algum movimento instituído. Foi um homem simples, com jeito de roça, filho de agricultores, com sotaque dialetal italiano, denotando sua pertença ao fluxo migratória do século 19. Mas quem o conheceu de perto, em seus 61 anos de vida, não o esqueceu nem vai esquecê-lo.
Salvador Pinzetta homem, dada ao trabalho e à convivência, fraterno nas relações e convocativo para outros vivê-las também. Sabia lidar com terra, os cereais e as parreiras. Cozinhava com habilidade e fabricava um vinho muito apreciado. Sua horta, causava admiração a quantos a visitavam. Ele circulava, enfim, pelas coisas simples próprias de um agricultor modesto e de um frade devoto e fiel.
Circulava pelos caminhos do cotidiano, não do excepcional ou miraculoso. Sua glória está na grandeza com que fazia as coisas simples: ia à roça com a mesma devoção com que ia à igreja ou ao culto. A sua oração não ficava circunscrita à capela, acompanhava-o por toda parte, como se fosse a sua sombra em dia de sol. Seria muito difícil surpreendê-lo nalgum momento em que não estivesse rezando; e o segredo disto era seu hábito de viver na presença de Deus. Sabia-se constantemente acompanhado por Deus, por Nossa Senhora, pelos santos. Uma frase, que ele tomou de São Francisco, traduz o senso dessa presença de Deus em sua vida: Sou o que sou diante de Deus, nada mais.
Frei Salvador não nasceu no convento, nem foi ali que começou seu caminho espiritual. Até os 33 anos viveu com a família, no interior do município de Casca, como agricultor; e continuou agricultor o resto de seus dias, no convento. Muito cedo, notabilizou-se como um rapaz “forte na reza”, como se dizia. “A oração era o seu prazer, o seu mel, o seu sol, a sua lua cheia”. Ao fazer-se frade, em 1945, só fez continuar o caminho iniciado, um caminho que se alongou enquanto durou a vida. Faleceu em Flores da Cunha, às 18 horas do dia 31 de maio de 1972.
No momento de sua morte, celebrava-se na igreja matriz o encerramento do mês de maio, festa de Nossa Senhora Rainha, e na praça intensificavam-se os preparativos para a Procissão Eucarística do dia seguinte, festa do Corpo de Deus, uma festa muito cara ao Frei Salvador.
É por este motivo que a celebração de Corpus Christi, em Flores da Cunha, com suas ornamentações de rua, é acompanhada pela memória de Frei Salvador Pinzetta, que também foi o primeiro “ministro extraordinário” da Eucaristia, na Diocese de Caxias do Sul. Todos os anos no dia de Corpus Christi,com a criatividade e bom gosto já conhecidos É só ir a Flores da Cunha para ver e vibrar.