Fr. Adelino Pilonetto
Ele não deixou monumentos, não construiu uma catedral, não escreveu um livro, nem deixou algum movimento instituído. Foi um homem simples, com jeito de roça, filho de agricultores, com sotaque dialetal italiano, denotando sua pertença ao fluxo migratória do século 19. Mas quem o conheceu de perto, em seus 61 anos de vida, não o esqueceu nem vai esquecê-lo.
Salvador Pinzetta homem, dada ao trabalho e à convivência, fraterno nas relações e convocativo para outros vivê-las também. Sabia lidar com terra, os cereais e as parreiras. Cozinhava com habilidade e fabricava um vinho muito apreciado. Sua horta, causava admiração a quantos a visitavam. Ele circulava, enfim, pelas coisas simples próprias de um agricultor modesto e de um frade devoto e fiel.
Circulava pelos caminhos do cotidiano, não do excepcional ou miraculoso. Sua glória está na grandeza com que fazia as coisas simples: ia à roça com a mesma devoção com que ia à igreja ou ao culto. A sua oração não ficava circunscrita à capela, acompanhava-o por toda parte, como se fosse a sua sombra em dia de sol. Seria muito difícil surpreendê-lo nalgum momento em que não estivesse rezando; e o segredo disto era seu hábito de viver na presença de Deus. Sabia-se constantemente acompanhado por Deus, por Nossa Senhora, pelos santos. Uma frase, que ele tomou de São Francisco, traduz o senso dessa presença de Deus em sua vida: Sou o que sou diante de Deus, nada mais.
Frei Salvador não nasceu no convento, nem foi ali que começou seu caminho espiritual. Até os 33 anos viveu com a família, no interior do município de Casca, como agricultor; e continuou agricultor o resto de seus dias, no convento. Muito cedo, notabilizou-se como um rapaz “forte na reza”, como se dizia. “A oração era o seu prazer, o seu mel, o seu sol, a sua lua cheia”. Ao fazer-se frade, em 1945, só fez continuar o caminho iniciado, um caminho que se alongou enquanto durou a vida. Faleceu em Flores da Cunha, às 18 horas do dia 31 de maio de 1972.
No momento de sua morte, celebrava-se na igreja matriz o encerramento do mês de maio, festa de Nossa Senhora Rainha, e na praça intensificavam-se os preparativos para a Procissão Eucarística do dia seguinte, festa do Corpo de Deus, uma festa muito cara ao Frei Salvador.
É por este motivo que a celebração de Corpus Christi, em Flores da Cunha, com suas ornamentações de rua, é acompanhada pela memória de Frei Salvador Pinzetta, que também foi o primeiro “ministro extraordinário” da Eucaristia, na Diocese de Caxias do Sul. Todos os anos no dia de Corpus Christi,com a criatividade e bom gosto já conhecidos É só ir a Flores da Cunha para ver e vibrar.
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